Dificuldade : média
A trilha leva o visitante através de uma viagem no tempo e no espaço, fornecendo informações sobre o meio ambiente e as culturas que nele foram-se forjando.
Acompanhamos o visitante, para deixar surgir sua capacidade de observação, chamando a atenção sobre aspectos que lhe permitirão, ao final do percurso, ter compreendido mais e melhor a importância que a interação entre as condições do meio e as comunidades primevas teve e tem para o equilíbrio da natureza e das sociedades.
HOMBU, na língua GÊ, quer dizer: Venha ver, venha comigo!
A Trilha Hombu percorre diversos tipos de paisagens:
O alto da serra, o planalto é plano, com vales entalhados de diferentes larguras. Esses planaltos recebem o nome local de chapadas e têm uma leve inclinação para o noroeste.
No caminho, que vai para a chapada, a vegetação muda radicalmente passando a ser uma caatinga arbustiva densa que vai se fechando para o interior da chapada, dificultando a passagem. E a área de maior diversidade de espécies da região, apresentando algumas que lhe são particulares e exclusivas.
Lá está a imensidão das terras da planície do rio São Francisco, salpicada de pontos verdes, as copas das mangueiras (Mangifera indica) e dos joazeiros (Ziziphus joazeiro).
Os boqueirões estreitos se alargam ao chegar na planície, formando vales largos, chamados baixões.
Nos lajedos de arenitos, formam-se verdadeiros jardins de espécies bem adaptadas à este ambiente muito seco, onde a água escorre superficialmente na rocha, sem possibilidades de ser armazenada no solo.
As pinturas rupestres são a manifestação antrópica mais abundante, conspícua e espetacular deixada pelas populações pré-históricas que viveram na área do Parque Nacional, desde épocas muito recuadas.
Iniciando o trajeto pela Toca da Invenção, situada no sopé da serra, é mais provável que a primeira criatura que o visitante irá notar será um pequeno lagarto escuro com as costas vermelhas-brilhante. Esta é a lagartixa-da-serra (Tapinurus helenae), uma espécie que ao mesmo tempo é, provavelmente, o vertebrado mais comum no parque, também, é encontrada apenas na Serra da Capivara.
Da Toca da Invenção o visitante irá a outro sítio com pinturas, a Toca do Martiliano. Ali, também, podem ser vistas aves características dos paredões, além de mocós. Na areia seca, junto à base das rochas, podem ser encontradas pequenas depressões cônicas. Estas são as armadilhas feitas por larvas de formiga-leão, que aguardam que alguma formiga incauta escorregue para o fundo das mesmas, onde mandíbulas serrilhadas as aguardam.
Subindo a cuesta, o visitante passa por uma área onde caatinga arbustiva entremeia-se com blocos e pináculos de rocha, além de trechos de lajedos com muitos cactos. Com um pouco de sorte, é possível observar um grupo de macacos-prego (Cebus apella) que freqüenta essa área.
Subindo ainda mais a trilha, continua por um trecho de caatinga arbóreo-arbustiva sobre um terreno mais plano.
A partir desse patamar mais plano, a trilha desce para o Boqueirão dos Caititus, onde existem dois sítios arqueológicos com pinturas rupestres. O boqueirão apresenta um microclima mais úmido, que permite o crescimento de árvores mais altas, formando um enclave de floresta semi-decídua.
No interior do boqueirão é possível encontrar mais macacos-prego, ou, pelo menos, ouvir seus assobios característicos. Durante as estação úmida são muito comuns cigarras e borboletas do gênero Hamadryas. Estas pousam sobre os troncos com as asas abertas, camuflando-se perfeitamente. Estas borboletas são territoriais e confrontam-se com uma dança aérea e estalidos audíveis ao ser humano.
O boqueirão sombreado é o ambiente favorito do brilhante surucuá (Trogon curucui), com seu ventre escarlate (no macho) e dorso verde metálico. Esta ave, do tamanho de um pombo pequeno, alimenta-se de frutos e grandes insetos (inclusive lagartas peludas) arrancadas dos galhos durante o vôo. Esta espécie ocorre, também, no cerrado e no Pantanal, e constrói seus ninhos escavando uma câmara no interior de um cupinzeiro arbóreo.
Também, no interior do Boqueirão, é praticamente certo que o visitante ouvirá o canto aflautado do canário-do-mato (Basileuterus flaveolus) e o “chap-chap” rouco do sabiá (Turdus leucomelas). Este procura insetos em meio às folhas caídas e o ruído de folhas sendo mexidas pode assustar um andarilho desprevenido.
No paredão rochoso, paralelo à trilha, é possível que o visitante observe um rato-rabudo (Trichomys apereoides), um simpático roedor que parece uma preá com uma cauda peluda. Este é sempre encontrado junto a rochas e, ao contrário de muitos roedores, seus filhotes nascem com pelos e olhos abertos, acompanhando a mãe pouco depois de nascer.
Conforme se desce o boqueirão, em meio aos blocos de rocha, este se alarga até um ponto em que a trilha percorre uma sucessão de lajedos.
Conforme se progride vale abaixo, a vegetação, gradualmente, muda para uma caatinga arbórea alterada pelo fato de ter sido o local de antigas roças.
A trilha leva às Tocas da Ema do sítio do Brás I e II.
A partir da Toca da Ema I, a trilha continua por uma área antes ocupada por roças, cruzando baixão onde há uma vegetação arbórea mais alta, especialmente angicos (Anadenanthera macrocarpa, Piptadenia spp.). Estas árvores mais altas são ideais para pica-paus maiores construírem seus ninhos. É possível encontrar o pica-pau-de-cabeça-vermelha (Dryiocopus lineatus) e o pica-pau-de-cabeça-amarela (Celeus flavescens), com sua cabeleira de cantor de rock.
Após cruzar o baixão, a trilha sobe novamente a rocha, passando por um trecho rico em cactos.
A trilha termina na Toca da Roça do Sítio do Brás I, onde antes existia uma habitação humana e roças.
Em quatro abrigos deste circuito, encontramos pinturas rupestres deixadas pelos grupos pré-históricos. Na Pedra Caída as figuras são raras e mal conservadas.
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