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Sítios arqueológicos

 

Um sítio arqueológico é um local no qual os homens que viveram antes do início de nossa civilização deixaram algum vestígio de suas atividades: uma ferramenta de pedra lascada, uma fogueira na qual assaram sua comida, uma pintura, uma sepultura, a simples marca de seus passos.

As pesquisas, na região do Parque Nacional, foram iniciadas em 1970 e desde então as descobertas se acumularam. Atualmente estão cadastrados 406 sítios , dos quais cerca de 360 apresentam pinturas rupestres. Os demais sítios são aldeias, cemitérios, acampamentos. Estes números não são definitivos pois continuamente são descobertos novos sítios no Parque Nacional.

Os sítios arqueológicos são diferentes segundo o uso que os homens pré-históricos fizeram do local. Cada local pode corresponder a uma função, mas há casos, como as aldeias, onde vários tipos de atividades foram praticadas. Em uma aldeia vive-se, o que significa lugares para dormir, para cosinhar, para descansar, brincar, fabricar armas, utensílios, trabalhar a pedra, o barro para fazer cerâmica, a madeira. Todos esses trabalhos produzem vestígios que caem ao solo e que vão sendo, aos poucos, cobertos por sedimentos.

Assim sendo os vestígios mais antigos são os que estão bem no fundo, pois à medida que avança o tempo, novos vestígios caem, novas camadas de sedimento se formam e o sítio vai apresentando uma maior espessura de camadas arqueológicas.

Quando o arqueólogo começa a trabalhar ele faz o inverso: com seu pincel, sua pequena colher de pedreiro, vai tirando os sedimentos e deixando no local os vestígios. Quando tira os sedimentos de uma camada, numera e retira os vestígios, passando então para a camada logo abaixo. Assim ele vai do mais recente para o mais antigo.

Em geral os sítios apresentam-se em concentrações espaciais pois correspondem a um povo, a uma cultura, a qual explorava um território dado, nele deixando suas marcas.

A pesquisa arqueológica começa pela prospecção, que corresponde à fase na qual os pesquisadores procuram encontrar vestígios que permitam o reconhecimento dos sítios. A seguir passa-se à fase de documentação: faz-se o levantamento topográfico do sítio, isto é seu mapa no estado em que foi descoberto. Faz-se as fotografias, se há pinturas as mesmas são fotografadas e copiadas. Em seguida dá-se início às escavações, única maneira de poder datar (veja encarte) os achados e definir quais os povos que deixaram os vestígios que o arqueólogo encontrou.

Métodos de datação

Os vestígios encontrados em uma escavação devem ser datados para que o arqueólogo possa situá-los no tempo.

As datações podem ser relativas, isto é, quando se atribui o objeto à uma época em razão de uma associação entre o mesmo e um evento já datado ou com fenômenos naturais cuja ocorrência segue tempos determinados ou produz certos tipos de vestígios característicos de épocas definidas. Por exemplo, se encontramos um esqueleto em uma camada geológica, conhecida como sendo de um período dado, esse esqueleto terá a mesma idade da camada.

Existem, entretanto, métodos de datação absoluta, que datam o próprio vestígio. Os vestígios que podem ser datados não são todos, eles variam de acordo com o método escolhido.

Alguns dos principais métodos, hoje em uso, e que foram aplicados no estudo do material encontrado na área do Parque Nacional são a análise do Carbono-14 e a da Termoluminescência.

Análise do Carbono 14

Na natureza o Carbono ocorre em três formas isotópicas: C 12 (com 6 prótons e 6 neutrons no núcleo do atomo), C 13 (com 6 prótons e 7 neutrons no núcleo do atomo) e C 14 (com 6 prótons e 8 neutrons no núcleo do atomo). Em qualquer amostra de carvão, 98,9 % dos atomos são do tipo C 12 e 1,1 % são do tipo . Somente um em milhões de atomos de carbono são do tipo C 14. Estes atómos de carbono são produzidos na alta atmosfera, pelo bombardeio de atomos de Nitrogênio

pelos raios cósmicos, e o excesso de neutrons que possui no núcleo o torna instável. Ele perde sua radioatividade, voltando ao estado de

Nitrogenio e este processo se dá segundo uma taxa constante, independentemente domeio ambiente. O tempo durante o qual a metade dos atomos de um isótopo radioativo perde sua radioatividade chama-se meia-vida e, no caso do C 14 a meia vida é de 5.730 anos.

O caso dos seres vivos é curioso. As plantas, através do dióxido de carbono absorvido durante o processo da fotossintese, adquirem o C 14 e os animais, que se nutrem de vegetais ou de animais comedores de vegetais, o absorvem por sua vez. Esse processo é contínuo e produz efeito inverso ao da meia-vida: ao mesmo em que alguns átomos perdem a radioatividade, entram no corpo átomos com radioatividade.

Quando ocorre a morte, cessa a aquisição de novos átomos de C 14 e o processo de perda de radioatividade produz seus efeitos. Assim sendo, medindo a radioatividade que resta em um carvão vegetal, em um osso ou em qualquer vestígios proveniente de um ser vivo, pode-se conhecer a data de sua morte. Ele tem seus limites: quando a radioatividade que resta é muito baixa, o que acontece depois de 50.000anos da morte do ser que originou a amostra, não mais é possível medi-la.

Esse método é hoje muito seguro, desde que sejam tomadas as devidas precauções para a coleta e manuseio de amostras e na interpretação dos resultados.

Termoluminescência

A termoluminescência, apesar de ser menos precisa que o Carbono 14, tem suas vantagens porque pode datar restos inorganicos e alcança datas mais antigas que 50.000 anos. Vejamos as bases desse método.

Os elementos minerais sofrem o bombardeio dos raios cósmicos e se carregam de radioatividade. Descobriu-se que quando um mineral, como um pedaço de silex, ou o barro com o qual se fabrica cerâmica, são aquecidos acima de uma certa temperatura (entre 350 e 400 graus C), perdem a radioatividade. Diz-se então que o relágio desse objeto foi colocado no zero. A partir deste momento, começam novamente a acumular radioatividade. Se o homem pré-histórico colocou pedras em volta de uma fogueira, ou esquentou um pedaço de silex para poder lascá-lo melhor, ou cosinhou uma vasilha de cerâmica, como emprega altas temperaturas, raramente alcançadas em fogos naturais de floresta, fez com que o relógio desses objetos fosse para o zero. As peças começam novamente a ser bombardeadas pelos raios cósmicos e vão acumulando, novamente radioatividade. Quando são retiradas de uma escavação, pode-se medir sua radioatividade. Conhecendo-se a taxa anual de radioatividade acumulada na região de pesquisas (essa taxa varia segundo a região, o sítio, a camada de sedimentos que recobria a peça analisada e pode ser medida colocando-se dosímetros no mesmo lugar de onde foi extraída a amostra a ser datada, deixando os mesmos no local durante um ano) pode-se calcular quantos anos passaram entre o momento do aquecimento pelo homem pré-histórico e a descoberta da peça pelo arqueólogo.

 

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