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Sítio - Toca da Roça do Sítio do Brás I

Muitos dos primeiros colonizadores, que chegaram na região do Parque Nacional, estavam motivados pela extração da maniçoba, matéria prima essencial para a industrialização de produtos de borracha, que se exportava massivamente, desde o final do século XIX . Utilizaram, como moradia provisória, os abrigos sob rocha da área do Parque Nacional, nos quais existiam, com frequência, sobre as paredes rochosas, pinturas rupestres pré-históricas. Este sítio foi utilizado para esta finalidade, e sua parede tomada como ponto de apoio para a construção de uma habitação de pau a pique. Algumas pinturas estavam muito próximas das paredes. As cores dos desenhos perderam sua vivacidade e contraste, em razão da degradação provocada pela presença humana, cobertas pela fumaça do fogo e as atividades cotidianas dos moradores. Não há evidência de uma vontade de prejudicar as pinturas, até, é provável que não tenham nem sido percebidas pelos ocupantes, fazendo apenas parte do entorno, o que as livrou de destruição voluntária.

Existem cicatrizes na rocha evidenciando o desprendimento de estratos provocados pelas características do arenito muito heterogêneo e pela ação das alterações de temperatura próprias do semi-árido. Afloramentos de siltito, localizados entre os estratos areníticos, contribuíram à desagregação do sítio. As gravuras foram, preferencialmente, realizadas sobre a camada de cor esbranquiçada, deixada à descoberto após a caída do estrato de cor ocre que a cobria. Os desenhos gravados são do tipo encontrado em toda a região.

As pinturas foram realizadas sobre a camada vermelha em processo de desagregação, e uma grande quantidade está recoberta por uma camada branca de depósitos minerais o que dificulta o reconhecimento, à primeira vista, dos limites da figura. É preciso dar ao olho o tempo de ver para descobrir outro universo pictural que se confunde com a pedra.

Uma concentração de figuras humanas, de tamanho reduzido, dispostas em fila e com gestualidade diversificada se destaca do conjunto pelo estado bom de conservação. Nas rochas, que formam a base dos nichos, encontram-se gravuras cupuliformes, características de sítios à beira d’água, o que demonstra que um rio corria na frente deste abrigo.

 

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