Preservação

Monitoramento constante nas estradas do Parque

Os trabalhos de preservação do Parque Nacional e dos sítios arqueológicos consistem em um esforço conjunto entre a FUMDHAM, o Instituto Chico Mendes e o IPHAN.

São os recursos captados graças à Lei Rouanet, doações permanentes da Petrobrás que permitem um trabalho constante. O Grupo Abengoa também fez uma doação em 2009. Há constribuições, esporádicas, do Ministério da Cultura e do Ministério do Meio Ambiente.

Foram construídas 30 guaritas, sendo 9 de acesso turístico. Todas elas estão em constante comunicação via rádio, com a sede da fundação e com o Instituto Chico Mendes. Todas as guaritas estão sob a responsabilidade de funcionárias, que fazem o monitoramento das entradas e saídas dos turistas e, dos funcionários, nas estradas do Parque. Atualmente trabalham no Parque 110 funcionários, efetivos.

Guarita BR-020 acesso turístico

A vigilância dos limites do Parque é feita por uma equipe de guardas do Instituto Chico Mendes, que percorrem as estradas e trilhas em busca de caçadores e pessoas não autorizadas. O problema mais grave para a preservação do Parque são os povoados e assentamentos vizinhos.  O costume de desmatar e queimar o terreno para plantar as roças, criação de gado solto e a caça e tráfico de animais silvestres são a maior causa de perda da biodiversidade e de sítios arqueológicos.

Durante o período da seca, atua uma equipe de prevenção e combate à possíveis focos de incêndio no Parque e regiões do entorno .

Para o manejo dos recursos hídricos, cisternas de alta capacidade foram construídas em locais estratégicos para captar água no período das chuvas e abastecer bebedouros e "caldeirões" naturais na época da seca. As formações rochosas contribuíram para a canalização da água que corre em grande volume sobre os paredões. Essa medida, foi tomada para minimizar os efeitos da desertificação e da destruição de parte do corredor ecológico entre o P.N. Serra da Capivara e o P.N. Serra das Confusões, sobre a fauna da região. Antes da colonização do território entre os dois Parques, nos meses de seca, todos os animais da Serra da Capivara migravam para a Serra das Confusões, então coberta por Mata Atlântica e onde os rios e lagos nunca secavam. Hoje, essa migração é impossível, o homem ocupou todo o território e os animais que saem do Parque, são mortos.

Trabalho de conservação dos sítios arqueológicos

PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL

Os sítios com pinturas rupestres do Parque Nacional Serra da Capivara, como toda obra de arte exposta ao ar livre, encontram-se em permanente processo de degradação.

Em alguns sítios, determinados fatores naturais ou antrópicos agem, acelerando a degradação da rocha ou das pinturas. É preciso, então, encontrar meios de neutralizar a ação destes agentes destruidores para que se possa prolongar por muito tempo a vida destes insubstituíveis documentos pré-históricos.

Os pigmentos das pinturas são elementos minerais, similares às rochas, por isso persistem até hoje. Só que estes elementos também passam por processos de degradação natural provocados, sobretudo, pela ação da água que, em geral, quando passa, arrasta parte dessas substâncias.

Alguns insetos (vespas, marimbondos, cupins), microorganismos e vegetais também provocam a destruição de sítios com pinturas. Os insetos constroem ninhos muitas vezes sobre as pinturas. Esses ninhos são feitos com argila, restos vegetais e saliva animal. Com o passar do tempo esses ninhos petrificam e recobrem definitivamente painéis com pinturas.

O problema mais intenso e mais grave de destruição, atinge o próprio suporte rochoso. A rocha é de tipo sedimentar formada de um arenito muito poroso e cimentada com uma matriz feldspática- quartzítica. Ela desagrega-se muito facilmente com a ação da água, vento e variações bruscas de temperatura, típicas de clima semi-árido: um sol escaldante ao meio-dia com temperaturas de até 48 graus e noites frescas com temperaturas variando entre 15-20 graus.

O fogo também provoca o superaquecimento da rocha e, como conseqüência, o aparecimento de rachaduras que ocasionam futuras quedas de placas.

As plantas, quando tocam a parede rochosa, também são prejudiciais à preservação dos sítios. Elas podem destruir a rocha através de substâncias químicas por elas produzidas como certas resinas ou, então, por reterem umidade e assim favorecerem o desenvolvimento de microorganismos (fungos, algas, bactérias, líquens). Além disso, o desenvolvimento das raízes no interior da rocha, provoca rachaduras, fazendo cair placas que têm pinturas.

A vegetação baixa, de tipo capoeira, que se encontra em geral na entrada dos abrigos, é a maior responsável pelo alastramento de incêndios nos sítios. E, sobretudo, por aproximar o fogo das áreas com pintura. A ação do fogo além de provocar um superaquecimento da rocha, também recobre a superfície pintada com fumaça.

O trabalho de proteção dos sítios de pinturas rupestres do Parque Nacional Serra da Capivara é feito em três etapas diferentes. O primeiro consta do levantamento e da identificação dos problemas de conservação presentes em cada sítio. Este trabalho é feito com a colaboração de diferentes especialistas (químicos, geólogos, microbiólogos, biólogos, botânicos). Cada sítio deve ser estudado separadamente, pois os tipos de problemas são muito específicos e próprios dos locais considerados. A segunda etapa é o trabalho de intervenção. Isto significa a realização de ações no sentido de neutralizar os agentes destruidores. A terceira etapa do trabalho de conservação é a pesquisa sistemática. Todas as ações realizadas são verificadas periódicamente para se avaliar os resultados obtidos. Estudos são feitos para complementar diagnósticos ou para solucionar novos problemas. Esses estudos são feitos por especialistas.
Este trabalho de acompanhamento contínuo do avanço do estado de deterioração do Patrimônio Cultural do Parque Nacional Serra da Capivara deveria ser praticado idealmente para a totalidade dos sítios, todavia, do ponto de vista prático isso se torna, atualmente, inviável, em decorrência do grande número de sítios e dos altos custos. Portanto é feita uma seleção priorizando os que correm maior perigo.

A situação dos sítios de arte rupestre do Parque Nacional Serra da Capivara seria bem diferente se não houvesse uma destruição acelerada do patrimônio natural. A preservação dos sítios com pinturas depende diretamente da preservação da fauna e flora da região. A maioria dos agentes causadores da destruição dos sítios é conseqüência de um desequílibrio ecológico com quebra da cadeia alimentar. O caso dos cupins ilustra bem esta situação. A caça desordenada de animais (tamanduá, tatu) que se alimentam de cupim fez com que houvesse um aumento considerável destes, que hoje constroem suas galerias sobre pinturas. Os desmatamentos e queimadas provocaram o desaparecimento de espécies nativas que protegiam a rocha da incidência solar e, hoje, em seu lugar, brotam apenas as plantas baixas, tipo capoeira.

A Fundação Museu do Homem Americano promove, periódicamente, a vinda de grandes especialistas internacionais, para que analisem os principais problemas dos sítios rupestres. Este foi o último relatório, apresentado por pesquisadores do Ministério da Cultura, da França.

Colocação de "pingadeiras" para que a água
da chuva não danifique as pinturas rupestres.

clique aqui e vej ao relatório anual em 2008 sobre a preservação

 

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