Parque Nacional Serra da Capivara Patrimônio Cultural Patrimônio Natural Turismo Mapas
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Preservação

Monitoramento constante nas estradas do Parque

 

Os trabalhos de preservação do Parque Nacional e dos sítios arqueológicos consiste em um esforço conjunto entre a FUMDHAM, o IBAMA e o IPHAN.

Os recursos captados, muitas vezes insuficientes, são administrados para as prioridades que envolvem a gestão de um Parque Nacional, como o acesso de turistas e trabalhadores, a proteção da fauna e da flora, e a conservação dos sítios.

Foram construídas XX guaritas, sendo XX de acesso turístico e XX de serviço. Todas elas estão em constante comunicação via rádio, com a sede da fundação e com o IBAMA. As guaritas são ocupadas por mulheres, que fazem o monitoramento das entradas e saídas nas estradas do Parque. Atualmente trabalham no Parque cerca de XX funcionários, entre efetivos e temporários.

 

Guarita BR-020 acesso turístico

 

A vigilância dos limites do Parque é feita por uma equipe de guardas do IBAMA, que percorrem as estradas e trilhas em busca de caçadores e pessoas não autorizadas. Uma característica do Parque é a pressão exercida pelos povoados que se encontram no seu entorno. Regiões pobres, que muitas vezes promovem o desmatamento, queimadas, criação de gado solto e a caça e tráfico de animais silvestres.

Durante o período da seca é necessária a criação de uma equipe de prevenção e combate a possíveis focos de incêndio no Parque e regiões do entorno .

Para o manejo dos recursos hídricos, cisternas de alta capacidade foram construídas em locais estratégicos para captar água no período das chuvas e abastecer bebedouros e "caldeirões" naturais na época da seca. As formações rochosas contribuiram para a canalização da água que corre em grande volume sobre os paredões. Essa medida foi tomada para minimizar os efeitos da desertificação e da destruição de parte do corredor ecológico entre o P.N. Serra da Capivara e o P.N. Serra das Confusões sobre a fauna da região.

 

Trabalho de conservação dos sítios arqueológicos

 

PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL

Os sítios com pinturas rupestres do Parque Nacional Serra da Capivara, como toda obra de arte exposta ao ar livre, encontram-se em permanente processo de degradação.

Em alguns sítios, determinados fatores naturais ou antrópicos agem, acelerando a degradação da rocha ou das pinturas. É preciso, então, encontrar meios de neutralizar a ação destes agentes destruidores para que se possa prolongar por muito tempo a vida destes insubstituíveis documentos pré-históricos.

Os pigmentos das pinturas são compostos naturais similares as rochas, por isso persistem até hoje. Só que estes compostos também passam por processos de degradação natural provocados, sobretudo, pela ação da água que, em geral, quando passa, arrasta parte dessas substâncias.

Alguns insetos (vespas, marimbondos, cupins), microorganismos e vegetais também provocam a destruição de sítios com pinturas. Os insetos constroem ninhos muitas vezes sobre as pinturas. Esses ninhos são feitos com argila, restos vegetais e saliva animal. Com o passar do tempo esses ninhos petrificam e recobrem definitivamente paneis com pinturas.

O problema mais intenso e mais grave de deteriorização atinge o próprio suporte rochoso. A rocha é de tipo sedimentar formada de um arenito muito poroso e cimentada com uma matriz feldspática- quartzítica. Ela desagrega-se muito facilmente com a ação da água, vento e variações bruscas de temperatura, típicas de clima semi-árido : mm sol escaldante ao meio-dia com temperaturas de até 45 graus e noites frescas com temperaturas variando entre 15-20 graus.

O fogo também provoca o superaquecimento da rocha e, como conseqüência, o aparecimento de rachaduras que ocasionam futuras quedas de placas.

As plantas, quando tocam a parede rochosa, também são prejudiciais à preservação dos sítios. Elas podem destruir a rocha através de substâncias químicas por elas produzidas como certas resinas ou, então, por reterem umidade e assim favorecerem o desenvolvimento de microorganismos (fungos, algas, bactérias, líquens). Além disso o desenvolvimento das raizes no interior da rocha provoca rachaduras fazendo cair placas que apresentam pinturas.

A vegetação baixa, de tipo capoeira, que se encontra em geral na entrada dos abrigos, é a maior responsável pelo alastramento de incêndios nos sítios. E, sobretudo, por aproximar o fogo das áreas com pintura. A ação do fogo além de provocar um superaquecimento da rocha, também recobre a superfície pintada com fumaça.

O trabalho de proteção dos sítios de pinturas rupestres do Parque Nacional Serra da Capivara é feito em três etapas diferentes. O primeiro consta do levantamento e da identificação dos problemas de conservação presentes em cada sítio. Este trabalho é feito com a colaboração de diferentes especialistas (químicos, geólogos, microbiólogos, biólogos, botânicos). Cada sítio deve ser estudado separadamente pois os tipos de problemas são muito específicos e próprios dos locais considerados. A segunda etapa é o trabalho de intervenção. Isto significa a realização de ações no sentido de neutralizar os agentes destruidores. As principais atividades desenvolvidas são a limpeza dos painéis pintados com a retirada dos diferentes depósitos de alteração que encontram-se sobre os mesmos. Este trabalho só pode ser feito por um especialista treinado para tanto pois é preciso tomar muito cuidado para não danificar nem as pinturas nem a rocha. No Parque Nacional Serra da Capivara já foram oferecidos dois cursos para formar agentes de conservação, e hoje o parque já conta com uma equipe que trabalha sistematicamente na preservação das pinturas. A terceira etapa do trabalho de conservação é a pesquisa sistemática. Todas as ações realizadas são verificadas periódicamente para se avaliar os resultados obtidos. Estudos são feitos para complementar diagnósticos ou para solucionar novos problemas. Esses estudos são feitos por um especialista em conservação e deve contar com a colaboração de diferentes áreas (química, física, biologia, geologia).

Este trabalho de acompanhamento contínuo do avanço do estado de deterioração do Patrimônio Cultural do Parque Nacional Serra da Capivara deveria ser praticado idealmente para a totalidade dos sítios, todavia, do ponto de vista prático isso se torna, atualmente, inviável, em decorrência do grande número de sítios e dos altos custos. Portanto é feito uma seleção priorizando os que correm maior perigo.

A situação dos sítios de arte rupestre do Parque Nacional Serra da Capivara seria bem diferente se não houvesse uma destruição acelerada do patrimônio natural. A preservação dos sítios com pinturas depende diretamente da preservação da fauna e flora da região. A maioria dos agentes causadores da destruição dos sítios é conseqüência de um desequílibrio ecológico com quebra da cadeia alimentar. O caso dos cupins ilustra bem esta situação. A caça desordenada de animais (tamanduá, tatu) que se alimentam de cupim fêz com que houvesse um aumento considerável destes, que hoje constroem suas galerias sobre pinturas. Os desmatamentos e queimadas provocaram o desaparecimento de espécies nativas que protegiam a rocha da incidência solar e hoje em seu lugar brotam apenas as plantas baixas, tipo capoeira.

É preciso que nos conscientizemos sobre a importância de presevar esse imenso patrimônio cultural, testemunho de grupos que habitaram o Piauí antes da chegada do Europeu e sobre os quais não dispomos de documentos escritos precisando conhecer muito ainda para entender melhor o passado, analisar o presente e buscar um futuro melhor.

 

Colocação de "pingadeiras" para que a água
da chuva não danifique as pinturas rupestres.

 

Fumdham © 2006