Linhas de Pesquisa

A FUMDHAM, integrante dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) como o Instituto de Arqueologia, Paleontologia e Ambiente do Semiárido do Nordeste do Brasil (INCT – INAPAS) vem desenvolvendo, em rede com a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade Regional do Cariri (URCA), pesquisas em arqueologia, registros rupestres, bioarqueologia e paleontologia no semiárido do Nordeste do Brasil.
O governo francês continua a financiar as pesquisas arqueológicas na Serra da Capivara por meio da Mission Archéologique du Piauí, que realiza missões todos os anos.
As pesquisas fundamentais em arqueologia, paleontologia e ambiente aportam contribuições na geração de conhecimentos com potencial aplicação tecnológica, já que cada tema demanda a utilização e, por vezes, a criação de novos métodos e tecnologias.

Summa arqueológica e paleontológica do Nordeste do Brasil

Integração de dados arqueológicos, paleontológicos e ambientais, de natureza diversa e provindos de diversas instituições, no semiárido nordestino a partir de uma plataforma tecnológica. Tem como contribuição metodológica a minimização de erros no processo de levantamento, transmissão e integração dos dados arqueológicos em uma base de dados, mediante consistências automatizadas.

O povoamento pré-histórico do Semiárido

Utilização do conjunto de conhecimentos advindos dos sítios, das evidências arqueológicas e paleontológicas e das amostras como base ampla do conhecimento sobre os grupos pré-históricos, o que permite elaborar estudos metodológicos e pesquisas que proporcionam o entendimento da forma de vida do homem pré-histórico na região. As análises se expandiram para o uso da biologia molecular, metrologia arqueológica, microscopia eletrônica, análises ecológicas e estudos tafonômicos.

Paleoparasitologia, ecologia e emergência de infecções parasitárias

A partir de estudos espaciais da diversidade de parasitos, verificação das diversas paisagens que podem indicar os elementos ambientais que promovem ou prejudicam a ocorrência de parasitos. Verificar, ainda, se os dados podem ser confrontados a períodos cronológicos de paisagens semelhantes e são usados para indicar a ocorrência de parasitos no futuro.
Identificar parasitos em sítios arqueológicos, a partir do modelo testado na região do Parque Nacional Serra da Capivara, Piauí e de outras regiões das Américas, para identificar a emergência de sistemas parasito-hospedeiro-ambiente em relação às condições bioculturais de populações humanas pré-históricas. Pretende-se chegar a uma abordagem da paleo-epidemiologia de grupos pré-históricos na América do Sul, em especial do Nordeste brasileiro. Dois aspectos são considerados: o estudo da história biogeográfica de parasitos e hospedeiros e os aspectos bioculturais, como dieta e higiene. Isso requer ampliar a base empírica de dados, incorporar técnicas e adaptar as existentes, para dispor de ferramentas de diagnóstico de maior sensibilidade e especificidade.

Análise gráfica dos registros rupestres

Documentação de sítios arqueológicos com pinturas e gravuras rupestres com procedimentos tridimensionais por meio de varredura a laser, para obter maior precisão e construir uma base de dados imagética georeferenciada, que permita analisar os registros e segregar identidades gráficas da pré-história, estabelecendo cronologias de referência tridimensionais.

Metrologia arqueológica e patrimonial

Desenvolvimento e aperfeiçoamento dos métodos de datação por Luminescência Opticamente Estimulada (LOE), Termoluminescência (TL) e Ressonância Paramagnética Eletrônica (RPE), o que permite datar amostras arqueológicas de sedimentos, cerâmica e dentes respectivamente. Foram feitas também medidas de intercomparação com outros laboratórios, com resultados favoráveis.
Documentação tridimensional por varredura a laser que se traduz em modelos georeferenciados de alta resolução tridimensional, incorporando ainda dados dos elementos físicos e quantificação dos padrões colorimétricos dos grafismos, a partir da associação com as técnicas de FRX e espectrofotometria.

Paleoambiente do quaternário

As pesquisas ambientais ampliaram o conhecimento sobre o paleoambiente do Nordeste do Brasil a partir de análises de depósitos quaternários, o que contribuiu para o entendimento dos eventos climáticos de maior magnitude desde o Pleistoceno superior. Foram coletadas amostras de sedimento para datação e análises sedimentológicas. A partir das análises realizadas sobre os depósitos quaternários, conseguiu-se chegar a reconstituições paleoambientais em subespaços semiáridos tão diversos quanto a Serra da Capivara, Seridó e o Submédio São Francisco, abrangendo um intervalo de tempo que se estende desde o Pleistoceno Superior ao Holoceno recente. Um aporte até então inédito para os estudos do quaternário da região foi a datação de calcretes formados em depósitos que preenchem marmitas de dissolução. Essa formação pedogenética é característica de um clima particularmente seco, tendo sido obtidas datas para sua formação, no semiárido Nordestino, entre o Último Máximo Glacial até o Holoceno Inferior. Além das análises palinológicas, que estão em curso, iniciou-se ainda uma primeira análise de fitólitos em subsuperfície para o semiárido nordestino. Esses podem vir a caracterizar-se em um marcador paleoambiental importante para a reconstituição da paleovegetação e de sua dinâmica biogeográfica. Parte desses resultados já foi publicada em artigos científicos. Busca-se, atualmente, a integração regional dos dados de diversas naturezas, obtidos até então.

Paleontologia do quaternário

O projeto de pesquisa paleontológico compreende a área de estudo situada na faixa semiárida dos estados do Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. O principal foco do estudo são as bacias sedimentares e os depósitos quaternários fora do âmbito dessas bacias, os quais estão relacionados a terraços fluviais, lagoas e tanques naturais de relevante interesse científico, por preservarem fósseis da fauna pleistocênica.