Niède recebe prêmio de R$ 100 mil, mas R$ 27 mil se perde em imposto.

14 de junho de 2017

A arqueóloga Niède Guidon, diretora presidente da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), criada para preservar o Parque Nacional da Serra da Capivara, foi premiada na noite da última segunda-feira (12/06) com o Prêmio Itaú Cultural 30 Anos na categoria ‘Inspirar – pensadores que transformaram e que inspiram seguidores até hoje’. Ela recebeu o prêmio de R$ 100 mil e disse que vai investir tudo no parque, mas quem pensou que ela vai ficar com a grana toda está enganado.

Do prêmio de R$ 100 mil que ela recebeu, pelo menos R$ 27 mil será de imposto, ou seja, para financiar a corrupção no Brasil, já que tudo que é pago de imposto não retorna para o cidadão. Quem quiser atendimento na saúde, tem que pagar um plano, quem quiser educação de qualidade, tem que pagar escola particular e por não conseguir passar em uma universidade pública, tem que pagar um faculdade, segurança nem se fala…

Niéde, claro, não gostou nada e disse que esse dinheiro vai para o ‘pessoalzinho’ de Brasília. Justamente o ‘pessoalzinho’ que quase fechou o Parque Nacional da Serra da Capivara.

 

SOBRE O PRÊMIO ITAÚ CULTURAL
o Prêmio Itaú Cultural 30 Anos foi entregue a dez pessoas e coletivos que, ao longo das últimas três décadas, intervieram significativamente na vida artística e cultural do Brasil. Uma das ações elaboradas pelo instituto para celebrar seus 30 anos de atividade, a premiação ocorreu no Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer, espaço gerido pelo Itaú Cultural desde 2011.

Com trajetórias que não se limitam a áreas de atuação específicas, os nomes levantados pela comissão de seleção do prêmio foram contemplados em cinco categorias:

APRENDER [ações na área de educação além da escola formal]
Contemplados: Ana Mae Barbosa e Mestre Meia-Noite (Gilson Santana)

CRIAR [artistas-criadores com trajetória de extrema relevância entre 1987 e 2017]
Contemplados: Lia Rodrigues e Véio (Cícero Alves dos Santos)

EXPERIMENTAR [pesquisas que impulsionaram transformações de linguagens artísticas e culturais]
Contemplados: Hermeto Pascoal e Teatro da Vertigem

INSPIRAR [pensadores que transformaram e que inspiram seguidores até hoje]
Contempladas: Eliana Sousa Silva e Niède Guidon

MOBILIZAR [líderes que inspiram mudanças; com sua trajetória e coerência provocaram alterações, revisões, reflexões, transformações]
Contemplados: Davi Kopenawa e Sueli Carneiro

Além do troféu, os vencedores do Prêmio Itaú Cultural 30 Anos receberam, cada um, 100 mil reais. A comissão de seleção foi formada pelo professor, curador e crítico de arte Agnaldo Farias; a escritora Ana Maria Gonçalves; o músico, dançarino, coreógrafo e pesquisador Antonio Nóbrega; a crítica de teatro Beth Néspoli; o cineasta, crítico de cinema e professor Carlos Augusto Calil; a escritora e pesquisadora Heloisa Buarque de Hollanda e gestores do Itaú Cultural – Ana de Fátima Sousa, do Núcleo de Comunicação; Edson Natale, do Núcleo de Música; Galiana Brasil, do Núcleo de Artes Cênicas; e Valéria Toloi, do Núcleo de Educação e Relacionamento.

Comandada pela jornalista Adriana Couto e pela cineasta Marina Person, a cerimônia de entrega dos prêmios contou com três apresentações artísticas: uma performance poética dos escritores Luz Ribeiro e Marcelino Freire e dois espetáculos musicais, um com Nailor Proveta, Renato Braz e Toninho Ferragutti e outro com Beth Beli, Fabiana Cozza, Lelena Anhaia, Lívia Mattos, Raquel Virgínia e Assucena Assucena – as duas últimas, integrantes da banda As Bahias e a Cozinha Mineira.

NIÈDE GUIDON
Niède Guidon (São Paulo, 1933) vive e trabalha no Piauí desde a década de 1970 e foi lá que se tornou um dos nomes mais atuantes na conservação e na manutenção de relíquias pré-históricas em solo brasileiro. Formada em história natural pela Universidade de São Paulo (USP), com doutorado em arqueologia pré-histórica pela Sorbonne (França), é administradora do Parque Nacional Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (PI). Muito mais que administrar esse património cultural da Unesco, Niède desenvolveu estudos arqueológicos que provam a chegada do homem à América muito antes do que se pensava.

“Niède Guidon colocou as Américas – e especificamente o Nordeste do Brasil – no radar da arqueologia mundial. Mas o fato é que ela fez muito mais. E ela é muito mais. Niède é uma entidade, uma guerrilheira e a principal guardiã da história do homem primitivo do sertão brasileiro. O Parque Nacional Serra da Capivara só existe porque Niède existe. É uma mulher que nos inspira diariamente a saber mais de nós e a saber que, para construir futuros, é preciso olhar para trás, reconhecer legados e preservar a história de nossos ancestrais.”

Fonte: http://portalsrn.com.br/noticia/5238/niede-recebe-premio-de-r-100-mil-mas-r-27-mil-se-perde-em-imposto