Editorial
Neste número de Fumdhamentos se apresentam os resultados do Seminário Internacional sobre preservação da arte rupestre nos sítios do Patrimônio Mundial, celebrado na sede da Fundação Museu do Homem Americano e no Parque Nacional Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, Piauí. A idéia de reunir esse Seminário partiu da Associação Brasileira de Arte Rupestre – ABAR, associada à Fumdham e ao Programa de Pós-graduação em Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco, no intuito de recolher subsídios e concentrar esforços na preservação do patrimônio rupestre brasileiro.
Constatou-se que, com exceção do Parque Nacional Serra da Capivara e algum outro caso isolado, o acervo rupestre pré-histórico do Brasil encontra-se em eminente perigo de destruição, tanto pelos agentes naturais como pela depredação humana, entre as que se contam, principalmente, o desmatamento e o turismo predatório e irresponsável. A presença no Seminário de especialistas e pesquisadores da arte rupestre em diversas regiões da Europa, possibilitou uma série de comunicações e propostas das quais foi possível deduzir medidas e possíveis soluções para o futuro.
A Arte Levantina foi tratada sob diversos aspectos: técnicos, teóricos e práticos pelos quatro especialistas espanhóis presentes no Seminário. Utiliza-se esse termo para os diferentes estilos de arte rupestre que se encontram num amplo arco da Espanha mediterrânea e que são Patrimônio Mundial da Humanidade, segundo a qualificação da UNESCO. Os problemas enfrentados para a preservação das gravuras paleolíticas de Foz-Côa, em Portugal, foi outro dos temas tratados pela pesquisadora portuguesa Mila Abreu.
Jean Philippe Delorme apresentou os resultados de uma proposta de manejo de parques, implantada pelo serviço de cooperação da França na região do Pantanal.
A Presidente da ABAR, Anne-Marie Pessis, dissertou sobre os fundamentos históricos que explicariam o descaso da população brasileira em relação ao seu patrimônio arqueológico e Niéde Guidon, Presidente da Fumdham, apresentou as medidas tomadas ao longo de três décadas na preservação do Parque Nacional Serra da Capivara, e os resultados que hoje fazem do parque um modelo único nas Américas.
Cabe registrar a presença, no evento, de representantes da arqueologia nacional e das agências financiadoras da pesquisa arqueológica no Brasil. Nossa representante junto ao CNPq, Tânia Andrade Lima e Gilson Martins, Presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira-SAB e membro do comitê da CAPES, prestigiaram o Seminário com a sua participação.