I Seminário Internacional sobre Preservação da Arte Rupestre nos Sítios do Patrimônio Mundial

Parque Nacional Serra da Capivara - 22 a 25 de abril de 2004.

 

Abertura

A Fundação Museu do Homem Americano, a Associação Brasileira de Arte Rupestre, a Fundação Seridó, a Sociedade de Arqueologia Brasileira, o CNPq e a Universidade Federal de Pernambuco têm a satisfação de apresentar nesse momento, a solenidade de abertura do I Seminário Internacional sobre preservação da Arte Rupestre dos Sítios do Patrimônio Mundial.

  • Composição da Mesa:
  •  
  • Dra. Niède Guidon, Presidente da Fundação Museu do Homem Americano;
  • Dra. Anne Marie-Pessis, Presidente da Associação Brasileira de Arte Rupestre e Coordenadora da Pós-Graduação em Arqueologia da UFPE;
  • Dra. Gabriela Martin Ávila, Presidente da Fundação Seridó;
  • Dr. Gilson Martins, Presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira;
  • Dra.Tânia Andrade Lima, Representante da Arqueologia no CNPq;
  • Prefeito da cidade de São Raimundo Nonato, Sr. Avelar Ferreira;
  • Prefeito da cidade de João Costa, Sr.Vitorino Tavares.

 

Passaremos a palavra à presidente da Fundação Museu do Homem Americano.

A Fundação tem o prazer de receber todos aqui, queremos que vocês aproveitem o máximo das reuniões, de tudo aquilo que cada um vai trazer para ampliar as nossas possibilidades de trabalho e que também possam ver o Parque Nacional Serra da Capivara aonde o Homem pré-histórico nos deixou um dos mais importantes legados, que é essa Arte Rupestre que está em mais de quinhentos sítios e que se constitui para toda a região numa esperança de trabalho e na esperança, também, de um futuro diferente daquilo que todos viveram até há poucos anos atrás.

Esta é uma região extremamente pobre, é uma região que vive com todos aqueles problemas crônicos do Nordeste, problemas que arrastam há mais de trezentos anos, porque praticamente aqui na região, começaram os problemas quando chegaram os colonizadores, embora o Nordeste tenha um potencial imenso, que bastaria ser bem empregado e bem explorado, pra resolver toda essa problemática.

Então, a todos, as nossas boas vindas.”

 

Com a palavra o Prefeito de São Raimundo Nonato, Sr. Avelar Ferreira.

“Quero saudar aqui a mesa e a Presidente da FUMDHAM, Dra. Niede Guidon meus senhores, minhas senhoras.

É com grande satisfação, que a prefeitura de São Raimundo Nonato está incrementando o intercâmbio científico-internacional e na Região do Parque Nacional da Serra da Capivara.

Estamos cientes da importância do turismo de São Raimundo Nonato e do desenvolvimento da região; e que estou particularmente satisfeito da criação de um Curso de Arqueologia e preservação do Patrimônio, porque é uma maneira de formalizar a vocação desta região e preservar o Patrimônio Natural e Cultural da pré-história do Brasil.

Quero confirmar a vontade política, a vocação da cidade; de outorgar uma prioridade que é a construção de uma cidade universitária e a pesquisa do patrimônio pré-histórico do Brasil.

Neste sentido, a Prefeitura de São Raimundo Nonato, juntamente com todas as outras entorno do Parque Nacional da Serra da Capivara tem manifestado a vontade de apoiar nova perspectiva da região na formação de quadros universitários de alta qualidade e a preservação do Parque Nacional Serra da Capivara.

O meu muito obrigado.”

 

Com a palavra o Prefeito de João Costa, Vitorino Tavares.

“Em primeiro lugar saudamos a mesa na pessoa da Dra. Niède Guidon e gostaríamos de expressar também a satisfação do município de João Costa por parte desse grande legado que a natureza nos deixou aqui, sendo o Berço da Humanidade tão bem trabalhado pelo pessoal da FUMDHAM e hoje encampada por nós Prefeitos, que fazemos parte em torno do Parque Nacional Serra da Capivara, com vistas à preservação desse trabalho que tão bem vem sendo feito palas pessoas da FUMDHAM, do IBAMA, enfim, a todos aqueles que têm na preservação umas das grandes fontes de trabalho e esperam com isso, está colaborando com os estudos para com o desenvolvimento da humanidade.

Então, de certa forma, nós também estamos satisfeitos com a instalação desse curso aqui e, no que for possível, a Prefeitura de João Costa com a colaboração da gente, estará empenhada em colaborar com esse empreendimento.

Boa noite ".

 

Com a palavra o Presidente da SAB, Dr. Gilson Martins.

“Boa noite senhores membros da mesa, autoridades presentes, professores, estudantes e cidadãos de São Raimundo Nonato e da região.

Para a Sociedade de Arqueologia Brasileira da qual eu aqui na condição de presidente e sócio, represento os demais componentes dessa entidade científica, é uma grande honra e, particularmente, uma grande satisfação em compartilhar com vocês um momento tão importante na história da ciência brasileira, no que diz respeito à Arqueologia mais precisamente, e às ciências interdisciplinares com as quais ela se relaciona.

Eu vinha no caminho, admirando a paisagem, admirando não só a paisagem física, mas como a paisagem humana e pensando ao mesmo tempo o quanto que é complexo esse Brasil! Eu sou de Nato Grosso do Sul, uma realidade bastante diferente de vocês, mas que tem afinidades. Existem em Mato Grosso do Sul hoje milhares de nordestinos vivendo lá e acredito eu com certeza, que muitos são do Piauí, são do Pernambuco, são da Bahia, talvez quem sabe até, de São Raimundo Nonato, eu não conheço todos.

Então eu vinha pensando nessa complexidade da sociedade brasileira presente, mas ao mesmo tempo, vinha pensando também nessa complexidade da sociedade brasileira do passado. Isso é o é mais instigante, talvez o mais fascinante, e talvez o amálgama de todos nós aqui de diferentes regiões do Brasil e do exterior e de culturas diferentes, de história de vida bem diferenciada, mas que nos agregamos nesse momento num denominador comum que é justamente isso: essa multiculturalidade, essa diversidade cultural que o Brasil tem hoje e teve no passado, um passado inclusive muito remoto, do qual talvez o maior monumento que evoca essa lembrança e nos provocas construções simbólicas de representações sobre isso que é o Parque Nacional da Serra da Capivara.

Quando a gente contempla (eu tenho a felicidade de está aqui já pela segunda vez), essa espetacular beleza física e cultural que esse Parque representa, é sempre um momento de reflexão e de meditação.

Eu fico pensando que esse Brasil parece que já traz consigo desde os seus remotos e originais momentos essa complexidade, essa vivacidade que faz com que o brasileiro seja no mundo essa pessoa transitiva que se dá bem tanto fora, como também recebe bem os que são de fora.

Então sabendo de toda essa riqueza, de todo esse potencial que eu já tive a oportunidade de contemplar, pra mim é uma especial ocasião hoje, na condição de presidente, ta dividindo aqui com vocês a grandiosidade desse momento. Sei que também além de tudo, do significado científico, do significado cultural que esse momento representa, é também um marco na história do desenvolvimento, aquilo que a gente chamaria de desenvolvimento sustentável do qual esta Fundação pode servir e acho que já é um exemplo para outros lugares do Brasil aonde numa área que, como já foi dito aqui agora a pouco, as dificuldades existenciais, sobretudo econômicas são muito grandes, mas que não servem como obstáculos para que a gente também seja grande.

E assim, é com grande satisfação que como presidente de uma entidade científica, assistimos a criação de um Curso de Graduação em Arqueologia numa universidade federal, a UNIVASF,porque já existiu um Curso de Graduação em Arqueologia no Brasil numa universidade particular, mas que hoje não existe mais.

Então, pode-se dizer que esse aqui é hoje o que virá a passar a funcionar em breve, o primeiro Curso de Graduação em Arqueologia no Brasil e mais importante do que isso: quando ficamos ansiosos e na expectativa das perspectivas da Universidade Pública Brasileira, que parece que está ameaçada; que passa por grandes dificuldades a gente vê colegas, vê pesquisadores, vê uma comunidade na qual eu envolvo prefeitos, vereadores e outros representantes aqui das forças locais, que conseguiram construir, quando parece que tudo ta indo pra traz, tudo parece que navega contra a Universidade Pública, a gente vê a abertura de um Curso de Graduação de Arqueologiaa gente vê e assistimos também com grande satisfação ao reconhecimento oficial de um novo Curso de pós-graduação a nível de Mestrado e Doutorado também de Arqueologia nessa região.

Então tudo isso para mim é muito emocionante e se a gente muitas vezes sucumbe ao pessimismo, passando pela crise das grandes cidades, dos grandes centros e a gente vendo aquilo que é por alguns, chamado de periferia, de repente acho que é preciso inverter os valores. Talvez dentro daquilo que seja chamado de periferia, hoje estejam acontecendo coisas importantes no Brasil e talvez motive o que é chamado de centro a fazer uma revisão de sua trajetória e se basear na simplicidade e na humildade que aqui também existem grandes iniciativas humanas, talvez já há mais de cinqüenta mil anos.

Muito obrigado e parabéns a todos vocês por esse já sucesso antecipado, que eu tenho certeza que vai ser esse evento.

Obrigado ”.

 

Convidamos à mesa o Senhor Deputado Federal Paes Landim e com ele, a palavra.

“Professora Niède Guidon presidente da Fundação Museu do Homem Americano, senhora presidente da Associação Brasileira de Arte Rupestre, Professora Anne-Marie Pessis, também a Dra. Gabriela Martin presidente da Fundação SERIDÓ ligada também a pesquisas rupestres, Senhor Prefeito de São Raimundo Nonato, Senhor Prefeito de João Costa, minhas senhoras e meus senhores.

É uma satisfação estar aqui presente nessa iniciativa da FUMDHAM e da Associação Brasileira de Arte Rupestre. Minha presença é exatamente para assistir, para participar da instalação de solenidade, mas não propriamente para falar.

Quero apenas dizer que o nosso Parque Nacional Serra da Capivara neste momento ele tem enfrentado uma série de dificuldades, a mudança de governo é normal, toda mudança é curto circuito da comunicação etc., mas separadamente, uma boa notícia; me ligou o ministro do Turismo Valfrido Maris Guia (coincidência estava aqui em São Raimundo Nonato às seis e meia no hotel, ele dizendo: “Paes Landim tenho aqui um Centro de Turismo do Nordeste. Um Centro de Turismo do Nordeste está pedindo dinheiro para a Serra da Capivara. Quero saber se a Niède está sabendo disso. É uma ajuda para um Centro de Turismo do Nordeste? Uma entidade ou um nome assim parecido. Você confirma aí que efetivamente se ela estiver contactado sobre isso, e se o dinheiro for direto para a Fundação, eu vou aqui autorizar”.

Eu disse: vou me encontrar com Dra. Niède daqui a pouco, vou me informar melhor disso.

“É um Centro de Turismo do Nordeste e sediado aí no Nordeste e que fez esse pedido e também para Parnaíba, para o Delta do Parnaíba.”

Bom, quero apenas dizer sobre essa coincidência porque efetivamente as nossas dificuldades precisam de meios, ainda hoje um jornal, aliás, um jornalista do qual sou muito amigo, já liguei para ele (Arimatéia Azevedo) protestando.

Ele disse: “As dificuldades não são tão grandes assim. O IBAMA transferiu quatrocentos e tantos mil reais no ano passado”.

Eu disse: olha só ter empregado e ser empregador doze meses e mais o décimo terceiro salário... só isso. Foi se referir a esse recurso. Ele não tem a noção da imensidade do Parque. O que acontece efetivamente é que o Parque é mais conhecido pelos cientistas. Os cientistas, como agora acabou de falar o presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira. O ministro do Turismo Valfrido dos Mares Guia que é um grande professor, o homem que tem o melhor colégio de Belo Horizonte, o Colégio Pitágoras que forma muitos há anos, de geração em geração de estudantes mineiros para as universidades, escolheu o nome Pitágoras porque Pitágoras foi um grande da Matemática, mas também um grande pensador que dizia: “Se você quer realmente evitar violência, evitar tumultos, você tem que investir na educação da criança”.

Então esse homem que tem essa visão da educação me deixa encantado. Hoje é o nosso grande fã, já falou ao Presidente Lula da sua visita aqui e tenho certeza, é o nosso aliado.

Outro aliado que infelizmente não veio ainda ao Parque, ele só quer vir ao Parque no dia que levar alguma coisa, mas nós temos que exigir que ele venha logo, é o ministro Gilberto Gil. E realmente o seu grande motor, é um grande instrumento de propaganda do Brasil.

É muito importante quando nas solenidades, reuniões internacionais, depois das solenidade geralmente é um jantar ou coquetel e as primeiras músicas que tocam geralmente são músicas brasileiras; quer dizer então que as músicas brasileiras hoje é u grande produto cultural do Brasil mias do que o futebol, porque o futebol é uma coisa mais de maça e a música é uma coisas mais que atinge diretamente a emoção da inteligência e da intelectualidade. Então Gilberto, você sendo ministro da Cultura representa muito sem isso.

E ai fiz um apelo depois de outras considerações sobre prisioneiro de fã, ele falou também, ele disse: “Pela primeira vez vi um prisioneiro de fã, preocupado com o semi-árido do sertão”.

Isso é um grande trunfo prá nós aqui do Parque. Esse mesmo prisioneiro de fã, pessoa da Mata Atlântica, sem nenhuma sensibilidade para com o Nordeste (esse eu não sei de onde ele é, mas fiquei impressionado). Ele dizendo que a preocupação é de investir no semi-árido, cuidar do sertão, levantar as forças vivas da cultura sertaneja, dos grandes patrimônios íssitros das tessituras do sertão, então, quer dizer, terminei dizendo. Gilberto era importante que você fosse a São Raimundo porque você me disse há poucos instantes numa conversa informal que não iria. Que só quer ir lá, levando alguma coisa concreta. Iria pedir ao presidente Lula que ele fizesse um plano de elaboração, que o Parque tivesse um desenvolvimento sustentável durante pelo menos cinco anos; que tivesse aquela tranqüilidade para as pesquisas.

Vê a sensibilidade desse baiano, que interessante!

Mas eu disse: eu lhe faço um apelo independentemente de você levar qualquer coisa. Porque na hora em que você for lá ver o nosso Parque, se você fizer uma música sobre o Parque em favor do Parque, você vai criar um impacto fantástico a favor do Parque.

Ele falou: “A música eu farei no dia em que eu for lá, mas eu queria ter condições...”.

Mas nós temos que insistir que o Gilberto venha logo porque ele vai dar seu testemunho ao Presidente, que tenho certeza, vai ser um outro grande aliado nosso, como já é o Valfrido que veio aqui para anunciar a liberação dos recursos para o aeroporto e para a estrada do Caracol.

São recursos do Ministro do Turismo e o Ministro precisava de um amigo de partido, foi a pessoa que mais insistiu para a minha posição político-partidária em Brasília e o recurso (vamos aqui fazer justiça) foi do governo passado Fernando Henrique Cardoso, quer dizer, o convênio foi assinado em dezembro de 2002, tanto para a estrada de Caracol, como para o nosso aeroporto.

Evidentemente que por problemas burocráticos e até por pouco (me perdoe o ex-governador, um amigo pessoal meu, não preciso citar nome, mas tinha um secretariado na área de infra-estrutura de uma incompetência total) não souberam aproveitar o time, o convênio que poderia ter sido feito em junho ou maio de 2002. Podia até ter iniciado a obra na gestão dele, foi assinado somente em dezembro.

Mas, os recursos, o Ministro do Turismo depois que assumiu já liberou para a estrada de Caracol três milhões de reais e está liberando nessa semana dois milhões, o aeroporto tá simplesmente à disposição do Governo do Estado.

Eu insisti que fosse construído pelas Forças Armadas, pelo Exército porque foi quem fez o projeto, foi a Aeronáutica e o Exército; um belo projeto executivo, o belo projeto da obra, mas o Governador achou que devia prestigiar as empreiteiras do Piauí.

O certo é que isso demorou na justiça de quatro a cinco anos, seis meses, porque houve uma série de irregularidades que foram apontadas, mas que a justiça depois achou estava saneadas. É um caso não comentáveis, mas perdemos tempo.

Então temos uma série de perspectivas e agora o nosso Presidente da Associação de Artes Rupestres, anunciou uma coisa muito importante aqui, que é exatamente o Curso de Arqueologia.

Vocês sabem. Foi criada a Universidade Federal do Vale do São Francisco. Ela é sediada entre Petrolina e Juazeiro. Isso é um grande sonho de um grande Parlamentar, um grande amigo, o deputado Osvaldo Coelho de Petrolina.

O nome original era Universidade Federal de Petrolina. Mas os baianos ciumaram e depois de muita discussão, o Osvaldo teve que ceder. O importante era sair a Universidade, acharam que Juazeiro tinha que participar e que o nome não poderia ser Petrolina. Achei uma bobagem, porque acho Petrolina uma simbologia hoje nacional na área de irrigação, mas tudo bem, ficou o nome Universidade do Vale do São Francisco, mas com o seguinte objetivo: O objetivo da Universidade do Vale do São Francisco é exatamente desenvolver atividades acadêmicas no semi-árido brasileiro a preocupação fundamental do Osvaldo e do atual Pró-Reitor que está respondendo o Reitor Protípora está até o final do ano, é exatamente desenvolver essa atividade no Piauí.

Então criaram cinco cursos em Petrolina: Medicina, Enfermagem, Agronomia, Veterinária... vai ter vestibular agora em julho, todas as engenharias em Juazeiro. Engenharia civil, elétrica, mecânica, ambiental, etc...

Então aqui estão esses dois presidentes das Associações Brasileiras de Artes Rupestres, nós não temos propriamente hoje mais nenhum curso de Arqueologia.

Pus-me em contato com o Reitor que é um amigo pessoal meu com a nossa querida Anne Marie-Pessis, os entendimentos estão bem adiantados, praticamente eu não conversei com Anne Marie depois da vinda dele, teve aqui terça-feira, eu não pude acompanhá-lo devido aos meus compromissos em Brasília, mas eu acho que é só a Arqueologia meu caro Presidente. Se a Anne Marie, a Niède e a nosso querida Gabriela e outras professoras que participam dessa luta que a FUMDHAM trás aqui para São Raimundo Nonato em prol da pesquisa arqueológica científica, do turismo eco-cultural que estuda as origens do Homem Americano, nós pudemos estender estes cursos para a Antropologia, Anne Marie (é uma grande professora de Antropologia, estudou Antropologia nos Estados Unidos, é doutora em Antropologia) e depois também para a História, a Sociologia, quer dizer, temos todo o caminho aí.

Vamos começar com a Arqueologia, então veja, eu soube que a Universidade Federal vai sediar em São Raimundo Nonato, já visitou aqui a FUMDHAM, eu tenho certeza (eu não conversei com Anne Marie depois da visita dele, quarta-feira foi ontem, foi feriado), tenho certeza que ele gostou das nossas instalações, deve ter aprovado aqui, até porque eles lá ainda estão procurando instalações para os cursos, alguns cursos, lá em Juazeiro e Petrolina, então isso se faz grande oportunidade para os nossos jovens, formarem aqui pesquisadores aqui em São Raimundo Nonato e, ao mesmo tempo, vai criar um grande impacto cultural nesta cidade; a Universidade Federal que tem uma proteção do Governo Federal que pode investir aqui em outras áreas depois, e pode-se colher aqui realmente um estímulo muito grande à pesquisa acadêmica em São Raimundo Nonato. Então é mais um grande trabalho que através da equipe da Niéde, de Anne Marie e da sua equipe vão desenvolver aqui em São Raimundo Nonato para cada vez mais transformar essa cidade exatamente num grande centro cultural.

Tenho certeza que aqui agora com o aeroporto, espero que dê o fruto dos nossos ideais, o turismo eco-cultural vai crescer enormemente, vamos ter aqui realmente uma grande mudança social e cultural em São Raimundo Nonato e econômica. Temos que vê o problema das estradas.

Encontrei-me, professora Niéde Guidon, na segunda-feira eu fui à posse do Presidente do Tribunal Regional Federal em Brasília, que teve jurisdição sobre o Piauí, aliás, é uma pessoas que tem parentes no Piauí, Aluísio Palmeira Lima (ligado a Remanso, Jacobina no Estado da Bahia) e lá estava o Governador da Bahia, o governador Paulo Sousa e fiz um apelo: de que assim como o Antônio Carlos Magalhães nos ajudou aqui a construir, ele que fez o trecho Remanso à fronteira com o Piauí, estive lá pessoalmente com a Niéde Guidon em 1993, ele em menos de um ano terminou o serviço, fez a estrada cinqüenta quilômetros; e que ele mandasse consertar agora, sobretudo, o trecho da fronteira com Petrolina até Remanso da Bahia que está prejudicando enormemente o turismo da região.

Só o Hotel Serra da Capivara teve de cancelar mais de cento e cinqüenta reservas de janeiro para cá em razão das condições precaríssimas da estrada. Esse apelo fiz ao governador Paulo Sousa, já fiz perante a Tribuna da Câmara, vou lhe passar um Fax segunda –feira reinterando esse pedido porque nós temos que criar condições para que a infra-estrutura que possa realmente alavancar o nosso turismo eco-cultual, seja firmada a fim de que efetivamente todo esse objetivo da Niéde, da Anne Marie, Gabriela e da nossa Sílvia Roman (eu nunca mais vi ela) e outras professoras possa a vir se concretizar, transformando aqui num grande centro cultural de pesquisa.

E essa presença aqui da Associação Brasileira de Arte Rupestre é uma demonstração exatamente dessa conexão entre o trabalho de Niéde e toda comunidade científica brasileira.

A Niéde é respeitadíssima no mundo inteiro, ela com a sua modéstia as pessoas às vezes não percebem. Professora da mais importante Universidade Francesa que é a Escola de Altos Estudos Sociais e Políticos da França, onde tem os mais eminentes mestres da França, Anne Marie também uma moça que estudou na Europa, nos Estados Unidos, altamente respeitada e com credibilidade acadêmica, o caso da Gabriela tem até Universidade em Pernambuco.

Enfim, tenho certeza que exatamente em razão dessa respeitabilidade internacional delas e da área acadêmica brasileira, como testemunho agora a presença aqui da Associação Brasileira de Arte Rupestre, São Raimundo Nonato só tem a ganhar e o nosso trabalho, o nosso esforço, dentro das nossas limitações porque evidentemente o parlamentar não é o Governo, não é o Executivo mais pelo menos reclamar, defender, reivindicar faremos sempre para que os grandes objetivos de Niéde Guidon sejam atingidos.

Desculpem-me, mas eu nem mentalizei o que ia falar Niéde me pegou de surpresa agora, mas queria dar o meu recado sobre o que nós propomos e lutamos em favor do Parque Nacional Serra da Capivara.

Muito obrigado ”.

 

Com a palavra a senhora Tânia de Andrade Lima.

“Senhoras e senhores membros da mesa, caros colegas, senhoras e senhores aqui presentes.

No momento em que as pesquisas arqueológicas em território brasileiro, tão sendo desenvolvidas em sua esmagadora maioria, através de projetos contratados no âmbito de empreendimentos desenvolvidos, a Arqueologia mais propriamente acadêmica que se volta para a resolução de problemas cruciais pra nós da pré-história, assume uma importância não só fundamental, mas, sobretudo estratégica.

A introdução maciça da Arqueologia nos meios empresariais, somada a exigüidade de recursos disponibilizados pelas agencias de fomentos na última década do século XX, reduziram dramaticamente os grandes projetos de pesquisa acadêmica na nossa área.

Nossos profissionais sem qualquer estimulo pra continuidade de investigações em sua áreas tradicionais de pesquisa, foram em sua esmagadora maioria cooptados pelas empresas. Com elas se entregaram ao desafio de adentrar pontos do território ate então inexplorados arqueologicamente, na crescente demanda gerada pela necessidade do cumprimento da legislação ambiental, expandindo consideravelmente as informações sobre a base de recursos arqueológicos da nação.

Alguns poucos, entretanto, resistiram. E a despeita das imensas dificuldades enfrentadas, criaram um baluarte de resistência, comprometidos mais com uma produção de conhecimento, que a produção de informação.

A Fundação Museu do Homem Americano é um desses baluartes talvez, o nosso principal baluarte, desenvolvendo, a despeito do pouco incentivo que recebe para o muito que realiza, um trabalho que orgulho nacional e produto de exportação internacional.

Em sua fértil em bem sucedida com o programa de pós-graduação em Arqueologia na Universidade Federal de Pernambuco, vem assegurando a continua e necessária retroalimentação no binômio ensino-esquisa, transmitindo as nossas gerações de pesquisadores, o legado do conhecimento aqui produzido, da sua introversão para o público e das diretrizes para a preservação deste inestimável patrimônio.

Exemplarmente estudado em uma perspectiva transdisciplinar que congrega em torno das questões que levanta um elenco expressivo de exímios profissionais de diferentes campos do conhecimento e de diferentes países, este patrimônio e o trabalho aqui realizado projetaram São Raimundo Nonato para o mundo.

Os dois eventos que aqui e agora se iniciaram, traduzem essa filosofia de trabalho com sua temática instigante que expande a interlocução da Arqueologia com outros domínios do conhecimento.

Mas, se na última década, a desalientadora retratação dos apoios às ciências e Tecnologia prostrou a todos, o que testemunhamos agora no CNPq na atual gestão, que tantos avanços obteve em tão curto espaço de tempo, é um movimento lento e gradual, é bem verdade, de paulatina expansão que da mesma forma é visível nos apoios dados a esse encontro.

Esses avanços vem dando uma face nova a agencia, implementando medidas que atendem a antigos anseios da comunidade científica brasileira, entre eles, o grande para os seus pesquisadores.

No nosso caso, nos últimos anos houve não só um expressivo aumento das bolsas de pesquisas pra arqueologia, como saíram vários editais específicos pra nossa área, pra doutorado no exterior, uma vitória do argumento de que é preciso estimular projetos acadêmicos no quadro da expressão da Arqueologia por contrato.

É, portanto, um tempo de esperança, vemos luz no fim desse túnel.

Pra todos nós, receber o apoio do CNPq, é motivo de orgulho profissional. Mas, no caso da Fundação Museu do Homem Americano, reproduzindo aqui o que ouvi de um dos mais graduados funcionários da agencia, é o CNPq que deve se orgulhar de apoiar essa Fundação.

Parabéns FUMDHAM, parabéns á UFPE, parabéns a ABAR.”

 

Com a palavra a presidente da ABAR, doutora Anne Marie-Pessis.

“Foi, há um ano e meio, com o professor Valentin Vilaverde na Espanha, que falamos justamente daqueles problemas que existem naqueles sítios arqueológicos que não têm o contesto de uma unidade de conservação, que lhes forneça a proteção.

Nessa ocasião, ele comentava o que tinha acontecido na arte do levanto espanhol. Era que se tinha declarado Patrimônio Mundial, sítios que não faziam parte, que estavam todos dispersos na região.

E foi numa ocasião dessas que chegamos à conclusão, que seria interessante que tivéssemos uma reunião, um Seminário Internacional, pra poder tratar desses problemas, que é um dos problemas que tem o Brasil.

A quantidade de pinturas que existem no Brasil é importante. É muito mais importante em termo de número, dos que têm no Parque Nacional. Estes estão sendo objetos de uma preservação muito particular, como vocês vão ver, sobre o qual nós vamos conversar.

Mas, o mais importante em termos quantitativos, são todos os sítios e a pintura rupestre que estão dispersos pelo Brasil.

Então convidamos aqui os colegas ibéricos para aqui apresentar as soluções que eles têm achado e os problemas que também tem tido que se fazer fácil.

E nós também vamos mostrar pra eles, o que podemos fazer com o Parque Nacional Serra da Capivara e o que não tem podido fazer também.

Penso que, o que é importante, é que desta reunião, saia como conclusão da reunião, a possibilidade de dispor de nosso elementos para formular políticos operacionais de preservação da arte rupestre.

Eu sei que, como vamos ter muitíssimo o que apresentar, de falar, eu vou deixar aqui, dar por terminada o início desse Congresso.

Eu queria terminar com outra questão é a última coisa que eu queria lhes informar (estou já falando em discurso e demais), mas queria dizer-lhes que há já dois dias, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a professora Niède Guidon foi declarada a Cientista do ano de 2004.

Agradecemos a presença de todos e convidamos para o coquetel, ouvindo chorinho com o grupo musical do PRO-ARTE FUMDHAM.

Muito obrigada.

Por favor. Um momento. Eu estou vendo que as pastas estão atrapalhando um pouquinho. Durante o coquetel e o chorinho, queiram deixar em seus assentos, o material e depois voltem a apanha-los. Ninguém vai mexer neles.

Lá aonde vai haver o Coquetel, tem uma porção de bancos que pode deixar tudo isso.

“Boa noite! Um pouquinho de atenção de vocês, eu gostaria de ta falando a respeito do grupo musical que está tocando aqui. (Obrigada), eu gostaria de falar a respeito do grupo musical que está sendo apresentado, eles são alunos e monitores de um Programa de Arte e Educação da Fundação Museu do Homem Americano, que é o programa PRO-ARTE, que nós mantemos arte e educação pra cento vinte crianças e adolescentes entre São Raimundo Nonato, Sítio do Mocó e Alegre, ou seja, alguns municípios da área em torno. Vocês vão poder observar algumas peças de barro, inclusive de pedra, feitos pelos alunos ali na frente do Museu e aqui nós temos os nossos alunos mais velhos adolescentes e adultos que são do grupo, estão formando um grupo musical, principalmente com intenção de tentar mudar um pouco o gosto local, porque eles são adolescentes e jovens que acreditam na boa música e há uma boa música brasileira que, infelizmente ela está se perdendo porque ela é muito divulgada apenas pelos antigos.

No caso, eles estão tocando aqui um repertório de choros, samba-canção, samba e este tipo de música é um tipo de música que nasceu por volta de final de hum mil e oitocentos, sendo confirmada como choro em hum mil novecentos e dez, tocada por pequenos grupos regionais, choro vem do latim (ploro) e vem também do ato de chorar. Então ela é uma música com muito arranjo, mas também lamentosa, chorosa. Uma música típica brasileira; uma música que não é tão valorizada como outras. Atualmente a gente tem muita música, porcaria infelizmente, e esse grupo, é um grupo que está cantando, é um grupo formado aqui em São Raimundo Nonato, que está tentando mudar um pouco o gosto local e eu gostaria que vocês dessem uma salva de palmas pra eles, eles estão começando...

Eu vou apresentar os meninos. No pandeiro Marcelo; no violão Marinaldo; no sax-tenor o Alex; no trompete o Ailton; no sax-alto o Fagner e aqui com a gente, ele não é nosso aluno, mas ele tem no sangue a música deste hereditário, o pai dele foi um grande músico o senhor Amilton Barreto; eles hoje estão tocando choros do Amilton Barreto e, quer dizer, um músico local que a gente ta tentando valorizar e eu gostaria que vocês além de apreciarem, divulgassem o nosso trabalho porque eles estão fazendo uma adaptação, um grupo de choro normalmente é feito com um violão de seis e sete cordas, pandeiro, cavaquinho e aqui infelizmente, o que a gente tem é instrumento de banda doado que a gente está conseguindo fazer isso, ao invés daquelas bandas que só são usadas pra Sete de Setembro.

Muito obrigada e, eu sei que algumas pessoas preocupadas com o transporte de amanhã então, antes de vocês irem embora, vocês conversem comigo.

Eles vão continuar, espero que vocês gostem.

Boa noite!”

 

Fumdham © 2006