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3.4 - Técnica da Arapuca
INVENTARIANTE: Nívia Paula Dias de Assis
PRODUTO: Armadilha: arapuca
INFORMANTE: Walter da Costa Santos
IDADE: 42 anos
LOCALIDADE: Caiçarinha – São Raimundo Nonato – PI
DATA: 25/11/2006
RELEVÂNCIA DO REGISTRO:
Consiste em descrever o processo de fabricação de uma armadilha conhecida como arapuca, que tinha como finalidade caçar aves e proteger frutas e legumes da lavoura. No primeiro caso, sua utilização forçava o homem sertanejo a observar as rotas de aves de médio porte como o jacu (Penepole jacucaca) e seriema (Cariama cristata). A função de proteção era aplicada aos pássaros menores como o socó (Nycticorax nycticorax), que se alimentavam com o embrião do feijão ou da melancia.
DESCRIÇÃO COMPLETA:
A - Características do dos galhos cortados:
- Árvore : Marmeleiro (Alibertia sp).
- Critérios para a seleção: eram retirados os galhos que possuíssem menor número de imperfeições; sem curvaturas.
- Parte aproveitada: o caule.
OBS. As folhas do marmeleiro também tem função medicinal.
B – Extração:
1- Local de retirada: as matas próximas à casa da pessoa que fazia a armadilha.
2- Coleta: com uma faca grande ou facão extraíam-se as hastes selecionadas.
3- Tempo: Entre 15 a 20 minutos.
OBS. Para a confecção de uma arapuca grande (60cmx60cm), utilizava-se uma quantia de 60 à 80 toras de marmeleiro.
C – Preparação dos galhos:
Movimento nº 1: com a faca ou com um facão cortavam-se as folhas para se fazer à arapuca, deixavam todos os galhos no tamanho correto e na mesma medida (60cmx60cm).
D- Transporte:
Devido à proximidade de casa, as hastes de madeira eram transportadas nos braços, sem muito esforço.
Tempo: 10 minutos.
E- Construção da arapuca:
A arapuca podia ser construída a qualquer hora, de dia, até mesmo à noite, quando os galhos já estivessem sido coletados.
Movimento nº 1: extraíam-se fitas de caroá para fazer as amarrações da arapuca (6 cm).
Movimento nº 2: sentava-se no chão e com uma pequena faca eram feitos cortes circulares nas extremidades de duas hastes de marmeleiros, de forma que marcasse o local onde as fitas de caroá iriam ser amarradas. Em cada extremidade eram formados cabeçotes de 2 cm.
Movimento nº 3: as duas hastes eram estendidas de forma paralela, numa distância de 1 metro.
Movimento nº 4: com as duas fitas de caroá, envolviam-se as extremidades das hastes interligando-as de modo a montar um quadrado.
Movimento nº 5: com uma das hastes da estrutura quadrangular montada, dava-se um giro de 180 graus deixando as fitas de caroá cruzadas.
Movimento nº 6: os quatro lados da estrutura agora cruzada eram preenchidos com outras hastes.
OBS: a cada madeira acrescentada de um lado, se adicionava também nos outros três lados. As fitas de caroá que montavam o esqueleto da arapuca eram conduzidas no decorrer das hastes de madeira de forma intercalada (ziguezague).
Movimento nº 7: em cada grupo de quatro madeiras que fossem acrescentadas, era necessário diminuir o comprimento nas extremidades (de 1cm a 2cm); para que surgisse um formato de pirâmide.
F - Acabamentos:
Movimento nº 1: ao chegar ao menor quadrado da pirâmide montada (10cm x 10cm), a abertura resultante era preenchida com hastes também de pequenas intercaladas no x (xis) central formado pelas fitas de caroá, que foram cruzadas no início do feitio da arapuca.
Movimento nº 2: a finalização da peça se dava com o processo de piar (com outras fitas de caroá enlaçavam toda a parte externa da arapuca, alinhando e apertando cada uma das extremidades) das hastes.
Tempo: para fazer uma arapuca pequena (30cm x30cm) gasta-se 1 h e para preparar uma arapuca grande (60cm x 60cm) gasta-se entre 1:30 hs a 2 hs.
F- Armação (montagem da arapuca):
Movimento nº 1: após encontrar o local certo para deixar a armadilha, cortava-se uma pequena forquilha, também feita de marmeleiro.
Movimento nº 2: a arapuca era suspensa e o seu lado mais erguido calçado com a forquilha.
Movimento nº 3: com um cipó de miroró (bauhinia spp) envolvia-se a forquilha, ficando uma pequena extremidade introduzida na arapuca. O cipó circundava a forquilha até ficar próximo do solo (4 cm).
Movimento nº 4: introduzia-se a outra extremidade do cipó na parede da arapuca que ficava em contato com o solo (lado interno).
Movimento nº 5: gravetos de madeira eram sobrepostos sobre o cipó esticado debaixo da arapuca.
OBS. Tal procedimento facilitava a derrubada da arapuca.
Movimento nº 6: sobre o solo coberto pela arapuca eram espalhados caroços de milho e feijão ou pedaços de melancia para atrair as aves.
OBS. Ao comer aqueles alimentos, as aves tropeçavam no cipó, derrubando a forquilha e conseqüentemente a arapuca. Assim, o caçador ia buscar a sua presa.
INSTRUMENTOS DE TRABALHO:
Faca pequena: Utilizada para cortar a folhas e as hastes para a fabricação da arapuca.
Facão: Faca de maior porte utilizada para cortas as hastes da planta.
Fitas de caroá: Camadas finas de caroá utilizadas como corda.
GLOSSÁRIO:
Cabeçote:Pequeno corte feito na haste para encaixar melhor uma na outra.
Forquilha:Pau ou tronco bifurcado.
Hastes:Pedaços de caule de determinada árvore de tamanho variado.
Jacu: Ave de grande porte e abundante na região.
Piar: Amarrações resistentes para impedir que a arapuca de desfaça.
Presa: Animal caçado.
Seriema:Ave gruiforme, muito comum na região.
Socó: Pássaro comum na caatinga.
QUESTIONÁRIO:
1- Quem participava?
Walter da Costa Santos.
OBS. ele selecionava, cortava e transportava a madeira; depois extraia as fitas de cipó, construía e espalhava a arapuca.
2- Quando acontecia a produção da arapuca?
Durante todo o ano e principalmente no inverno, próximo às lavouras, para assim diminuir a incidência de pássaros sobre as plantas cultivadas (arapucas pequenas).
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