6 - Processamento do Mel

INVENTARIANTE: Nívia Paula Dias de Assis
PRODUTO: Mel e Cera
INFORMANTE: Carmelita Pereira Dias
IDADE: 66 anos
LOCALIDADE: Salininha – Dom Inocêncio -PI
DATA: 16/01/2007

RELEVÂNCIA DO REGISTRO:
O mel é atualmente um dos principais produtos extrativista do Piauí e a sua cultura na região, é uma atividade bastante antiga. Até meados do século XX, o distanciamento dos engenhos com a produção de açúcar e de rapadura não refletiam de maneira na alimentação do sertanejo, que coletava o mel das colméias espalhadas pela caatinga.
O mel é uma substancia também disputada por pássaros, como o “papa-mel”. É aproveitado pelo sertanejo não somente como alimento, mas também como medicamento.

DESCRIÇÃO COMPLETA:

A – Características da colméia:
1. árvore suporte: imburana (Amburana cearensis), angico (Piptadenia spp.) e umbuzeiro (Spondias tuberosa).
2. Critérios para seleção: eram extraídas as colméias que dessem sinais de amadurecimento (tamanho maior e orifício de entrada com textura desgastada).
3. Partes aproveitadas: mel, cera e saburá.

B – Extração:

1. Local de retirada: no meio da mata (caatinga).
OBS. Quanto mais isolada fosse a mata, maior a probabilidade de se encontrar grande quantidade de colméias (no centro da caatinga).

2. Coleta:
Movimento nº 1: cortavam-se os galhos ou troncos das árvores com um machado. Depois era dado um pequeno corte horizontal de 30 cm e abaixo dele (30 cm a 40 cm) era dado outro corte também horizontal.

Movimento nº 2: Davam 2 cortes verticais unindo as extremidades dos primeiros cortes horizontais e formando um quadrilátero.

Movimento nº 3: arrancavam o quadro da madeira que se formava no tronco, destampando a colméia.

Movimento nº 4: com as duas mãos coletavam cuidadosamente os favos de mel colocando-os dentro de uma cuia (diâmetro 29cm a 30cm).

C – Transporte:

Quando o local de extração era próximo à casa do morador, o mel era transportado em cuias. Para locais longínquos, eram utilizados caçuás (5 litros) ou latas de querosene (20 litros para grandes quantidades).
Tempo: entre 30 min a 40 min.

Movimento nº 1: com as duas mãos espremiam os favos para que o mel se desprendesse dentro da cuia.

Movimento nº 2: o mel era coado com um pedaço de tecido de algodão, dentro de uma tigela ou de uma panela.

Movimento nº 3: o mel já coado, era despejado em garrafas de vidro ( 1litro) quando em pequena quantidade e em latas de querosene, quando o volume era maior.
Tempo: 2 min.
OBS: Após espremer o favo, o mel escorria deixando somente a cera. Esta cera era agrupada, amassada, colocada numa panela de ferro e levada ao fogo para derreter. Em outra panela colocavam um pouco de água (1 copo) e derramavam a cera derretida para esfriar. Nesse processo, os cuidados aumentavam para que não caísse na água bagaços que haviam decantado no fundo da primeira panela. A cera não se mistura à água, por isso quando entrava em contato com a mesma, ela imediatamente coalhava. Estava pronta a cera processada.
Tempo: 3 min.

D – Utilização do mel:
Medicinal: puro ou acrescentado à chás e xaropes.
Adoçante: com café, leite, coalhada, chá ou umbuzada.
geléia: com farinha, beiju, requeijão ou queijo.

E – Construção de objetos de cera:
Movimento nº 1: após espremer o favo, os restos do mesmo eram agrupados formando a cera natural. Esta era amassada, lavada e posta para secar no sol.

Movimento nº 2: em seguida, montava-se uma bola (diâmetro 1 cm).

Movimento nº 3: espetava-se na bola formada, uma pequena vareta (25 cm).
Tempo: 5 min.

Movimento nº 4: a bola era esquetanda no fogo até derreter.

Movimento nº 5: pegava-se uma tira de tecido (30 cmx40 cm), prendia uma extremidade entre os dedos do pé, esticando e segurando a outra extremidade com as mãos.
Movimento nº 6: continuavam esquentando a bola de cera e agora esfregando-a por toda a tira de tecido.

Movimento nº 7: após cobrir toda a superfície da tira com a cera, a mesma era colcada para esfriar.

Movimento nº 8: a tira era torcida e pendurada numa parede para ser acesa e iluminar determinado cômodo da casa.
Tempo: 5 min.

INSTRUMENTOS DE TRABALHO:

Caçuá: espécie de moringa de couro, com capacidade de 5 litros e utilizada para carregar o mel.

Cuia: Vaso feito da cabaça (Lagenaria vulgaris) e esvaziado do miolo.
Facão: Faca de maior porte, utilizada para cortar o tronco da árvore. Quando o sertanejo vai para a mata, ele sempre está acompanhado de um.
Lata de querosene: Antigas latas que armazenavam querosene e que eram reaproveitadas pelos sertanejos.
Panela de Ferro: Panela mais resistente e muito utilizada na região.
Vareta: pedaço de madeira (25 cm), usado para mexer a cera quando estava sendo derretida e usada também para espetar a bola de cera.

GLOSSÁRIO:
Amassada:Misturada. .
Bola de cera: cera em seu estdo sólido.
Esfregando: passar diversas vezes.
Espetar: furar com um objeto pontiagudo.
Saburá: Resíduo do pólen, substância amarela existente nos alvéolos das colmeias, quando doce, é consumida.
Tira de tecido: Pedaços finos de tecido.

QUESTIONÁRIO

1-Quem participava?
Os homens e as mulheres da localidade.

2-Como era feita a divisão das tarefas?
Dona Carmelita Pereira de Assis
- espremia os favos
- coava e armazenava o mel
- processava a cera
- fabricava a vela

Senhor Antonio Pereira de Assis
– coletava e transportava o mel
3-Quando acontecia a coleta?
Durante todo ano, mas no inverno a produção era mais intensa.

 

 

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